Lágrimas Douradas
A manhã foi triste para os brasileiros. Quem assistiu a final do futebol feminino de Pequim, ficou com um gostinho amargo pela manhã.
Foi triste, ver nossa seleção (essa sim, nossa Seleção), chorando. Choro puro. Choro de trabalho. Choro de quem não ganha milhões, não sai em capas de revistas do mundo todo. Choro de quem sabe o que significa aquele escudo, que nem lá estava mais (por imbecilidade de sei lá quem).
Choramos também. Não por que somos patriotas, por favor, sem cair nesse papo hipócrita de patriotismo.
Mas, sim, e muito, porque experimentamos uma das faces da apaixonante injustiça do futebol.
Fomos melhores, poderiam ter ganho, mas Deus não quis assim. Ele tem lá seus motivos. Com certeza, prepara algo bem maior e melhor para cada um delas.
Louvável também seja a frieza americana, que foi tacticamente perfeita. Perfeita com “C” maiúsculo. “C” de cirurgiãs, que se defenderam quando deveriam, se pouparam fisicamente e, no fim do tempo normal até a prorrogação, esbanjaram a melhor forma física, a que cultivou no pragmatismo de quase 80 minutos de domínio nosso.
Não foi sorte.
Foi competência.
Elas (as americanas) armaram uma estratégia, cumpriram-na plenamente e venceram.
Nós armamos a nossa e cumprimos em parte, exceto o “detalhe” do gol.
Em parte, para o injusto futebol, não é suficiente. Dizem “faltou paciência, faltou tranqüilidade”.
Pudera. È desumano pedir tranqüilidade quando a bendita bola esquece o caminho das redes.
É desumano criticar ou achar falhas nossas.
É desumano não sentirmos as dores de nossas heroínas.
O Brasil se “perplexou” no Maracanazzo de 50.
O Brasil se frustrou com Zidane em 98.
O Brasil chorou com Marta, com Cristiane, com Bárbara, com Tânia Maranhão... enfim...
Chorou choro de vitória.
Merecíamos.
Queríamos.
Não era a hora.
Não faltou garra, vibração, técnica, tranqüilidade, paciência...
Nada faltou, senão o ouro.
Aliás, ele já veio, em cada lágrima derramada.
Lágrimas douradas, incessantes e doloridas.
Lágrimas que não se perdem, não enferrujam, não morrem no esquecimento.
Lágrimas vencedoras de corações guerreiros.
Em lágrimas, digo, como disse, ano passado, no Pan:
PARABÉNS MENINAS, O BRASIL TEM ORGULHO DE VOCÊS!!!!
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